Algumas coisas você aprende sem admitir, principalmente as sujas. Com o tempo, verdadeiramente aproveitado, acaba nunca mais acordando cedo para ouvir aulas medíocres e aprende a desculpar-se para si mesmo acreditando que perdeu o horário outra vez.
Quando não se namora pela primeira vez, todas às vezes, sabe que não importa o que disser e o quanto de ciúmes é demonstrado, todos são meninos, rebeldes ou assumidamente carentes. Aperfeiçoa seu riso escondido das ofensas mais agressivas, pois todas acabam sendo, proporcionalmente, a medida do desamparo do garoto.
Seus relacionamentos afetivos com o sexo oposto não são mais pautados em critérios fúteis: jeito de se vestir, humor, gosto musical, opção de estilo literário, intelectualidade. Essas características são só usadas pela dita consciência, que não dita nada. E, quanto mais conhecimento forçosamente é demonstrado, mais fácil acaba sendo identificar as fraquezas, as defesas.
Pessoalmente sempre gostei dos que preferem whisky a cerveja, jazz a samba, cinema europeu ao latino. Não para me relacionar, claro. Tais meninos trazem tristezas mais profundas, fugas mais escancaradas e inseguranças mais engraçadas. Esses caras te cantam de forma ilegítima, sempre usam a jogada da crítica aos machistas e dizem que vão ser bons amigos. Automaticamente, depois de um tempo, você sabe que não é errado se divertir com isso. E, não se culpa mais por fazer o papel de interessada só para ver até onde vai, aliás, é o papel que todos, além desses, buscam em você. Não é errado deixar que mostrem o poder que sabem não possuir – deixar que batam o pinto na mesa e sempre saibam mais que você. E você, mostrando admiração passe talco na bunda e elogie a sapiência, a coragem e claro o poder desse herói. Ah, toda essa novela é o que tem de mais bonito e talvez esse papel seja a beleza de se saber mulher…quer dizer, é uma daz.
Ao passarem os aniversários ser mulher é estar sozinha e possuir toda a humanidade dentro do útero. É acabar acreditando que amizade verdadeira só se faz com inimigas em comum, mesmo que essas não sejam pessoas físicas e, mesmo sabendo disso, confiar. Pois só o mesmo gênero pode ter a empatia, pode sentir o que é ser o pecado, o inferno e a porra da condição feminina, divina e maravilhosa condição.
Com o tempo, o seu tempo acaba não significando muita coisa, talvez a vida passe a ser contada por porres para algumas, casamentos, diplomas ou filhos para outras.
Algumas coisas você aprende sem admitir, principalmente que o maior entendimento é não entender, mas viver a ânsia pela perplexidade. E, que se é a falta que nos constitui, que seu falso preenchimento entre pelos grandes lábios, sempre com paixão…
(coruja)