Quem esvazia o verso escapa do ser como certeza, encontra a ausência dos deuses, vive na intimidade dessa ausência, torna-se responsável por ela, assume o risco dela, suporta seu favor. Quem esvazia o verso deve renunciar a qualquer ídolo, deve cortar com tudo, não ter a verdade como horizonte, nem o futuro como morada, pois não tem nenhum direito à esperança: pois lhe será preciso, ao contrário, desesperar.
(Maurice Blanchot)