Os homens esqueceram a sua atenção em casa. Os homens esqueceram em casa a leitura que podiam do mundo. A leitura, o mundo, em casa, guardados entre farrapos e condenados a este sem uso e sem motivo. O narrador está calado. Silencioso no cuidado de si. Calado. De olhos fitos no vazio de alguma paisagem. É imagem. Calado. Outro fosse, e ele teria de se haver com esta palavra sem posse, e sem razão. Mas hoje, a narratividade é uma colheita árdua de pó, poeira e dendritos do mundo, e seus vestígios na história.
Hoje e amanhã são suspeitas sem solo, e sem espécie. Como pratarias sem valor. O conteúdo do tempo é uma mercadoria sem preço e sem demanda. Estamos esquecidos. Agentes desse esquecimento sem futuro, e sem volta. Somos esquecedores. Efêmeros, instantâneos. Nada de que possa o vocabulário de sedução e de conquista do narrador. Em silêncio catatônico, ele olha. Se rende. A pergunta que resta é pouca. A voz rouca. O peito pesado.
agosto 12, 2011
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