Delineando

agosto 16, 2009

Conto infantil

Filed under: andorinha — delineando @ 5:31 pm

Em um lago nadavam duas cisnes fêmeas, belas, topetudas, magníficas.
Por vezes seres irracionais são dominados pelo instinto de dominar…
E ninguém sequer viu o que houve 1 segundo antes de ambas se encararam com fogo nos olhos.
Abaixaram a cabeça em posição de ataque, desafiando, mostrando o topo dos olhos ardentes…
Uma de cada lado emplumou-se obedecendo aos impulsos mais antigos e verdadeiros.
Porém com um desespero frívolo de parecer maior ou mais feroz que a adversária, sem demonstrar fraqueza, apenas a conjecturada superioridade impassível.
Aos olhos da platéia de bichos do lago, totalmente iguais e atraentes.
Repentinamente se precipitaram uma contra a outra. O que no cinema ganharia uma ópera intensa de fundo. O ataque.
Em suas cabecinhas se acreditaram touros chocando-se a toneladas, a percepção da adrenalina, da taquicardia sufocante.

Pobres criaturas, não passavam de patinhas se despenando em uma das brigas mais medíocres da fauna.
Abriam suas asas arrepiadas, esticavam seus pescoços e se chocavam repetidamente.
Patas desengonçadas insuportavelmente semelhantes terminaram a cena, novamente sem qualquer sinal precedente. Cada uma resistindo à mesma derrota e prontas para a próxima disputa que surgiria com um motivo existente apenas dentro daquelas duas mentes rivais.

Um sapo na espreita, fumando seu charuto, notou então que ambas já não estavam tão belas, assim lesadas, machucadas, sem seu maior poder.
É o que a natureza pode permitir para um mesmo lago. O lago soberano.
(Andorinha)

junho 3, 2009

Pode ser solidão…

Filed under: andorinha — delineando @ 2:37 am

Caminho em uma praia
Lugar bonito, sol brilhante
Caminho na margem, no encontro da água com a areia
Uma das melhores sensações do mundo.
Por vezes inundo meus pés na água
Outras, seco na areia
Não sou água, não sou areia, não me desmancho.

Mas é muito difícil caminhar na margem,
é o que chamam pesado. A areia molhada resiste:
ao peso dos pés que entram,
e também à sua retirada.
Fico exausta.
(Andorinha)

janeiro 4, 2009

Filed under: andorinha — delineando @ 2:54 am

coracao-vazio1

Ainda penso nos amigos, mas agora é como pensar em mim mesmo.

Não vejo a doce moça desde que naquela praça havia um cinema.

Lugar onde hoje é mais uma daquelas igrejas

Templo em que expulsam demônios

Gritos que insultam as lembranças de várias juventudes

Lembrança que já é apenas minha

Eu que envelheço a cada espelho olhado

Imagem refletida que não revela minha sede

Aspiração que aguarda novas alternativas

Passei os anos me esvaziando de velhos valores

Não desejaria ser como meus pais e avós

Só me esqueci de preencher com novidades

Ou, naquele movimento, não as encontrei.

(Andorinha)

outubro 15, 2008

Mais que isso

Filed under: andorinha — delineando @ 10:54 pm
Tags:

Meu amor venha cá.
Só você ri de meus medos sem saber que são medos.
Você torna esperança de futuro, o reverso da imagem do meu passado.
Ainda temo, não nego.
Mas me apaixono novamente por você a cada fim de saudade.

Nós mulheres temos sido tão rebeldes,
Ganhando o mundo, colecionamos preocupações.
De tão racional que tentamos ser, somos conhecidas sentimentais, emotivas, histéricas.
Da coerência que buscamos, fazem um dito popular brincando que não nos entendem.
Quanto mais vivemos e experimentamos, menos convicções construímos.
“Sou errada, sou errante, sempre na estrada” cantou Paula Toller.
Falamos de nós com tranqüilidade, trocamos vivências com qualquer ouvinte disposto.
Mas continuamos travando na pergunta: “Quem sou eu?”
Pintamos as unhas, secamos os cabelos, esquecendo-nos do porquê.
Choramos e ninguém se espanta, nos dão carinho.
Mas por vezes também somos impassíveis, fortes, mães, serenas, misteriosas.

Meu amor, venha me dar seus braços; preciso de você.
Quando lê meus versos favoritos, admira e pede explicação, me desmonta.
Mas sente-se aqui, conte-me sobre seu dia no trabalho.
Te faço perguntas “e encho a tua bola com todo meu amor.”
Você me olha, me deseja e eu lembro.
Mais que isso, sou eu, mulher.
(Andorinha)

(Dedicado aos pesquisadores da feminilidade.
Texto iniciado em 9/10/2008 e ainda em construção… talvez eternamente)

setembro 26, 2008

Onda

Filed under: andorinha — delineando @ 4:46 pm

Nem tão firme quanto eu merecia

Nem tão perdida quanto você gostaria

O tumulto aqui circunda razão e alma

Mas um adaptado já não mais me entende

To feito onda

Busco a praia com alegria e ansiedade

Mas ao chegar, já me quebrei

E então sou novamente tragada pelo mar

(Andorinha)

setembro 13, 2008

Acontece

Filed under: andorinha — delineando @ 7:20 pm
Tags:

Acontece

O que acontece comigo?

Será que projeto a aversão?

A dor de rever o mau que se intensifica

Ou sofro com a exposição

da reflexão que me identifica?

 

O que acontece comigo?

Massa amorfa que me forma

Algo incomoda quando olho para você

Te encaro, condeno,

e logo te afasto no outro, me engano

 

O que acontece comigo?

Que perco chances escorando no muro

Olho as escolhas e mal sei se faço a minha

Repito, re-olho, re-sinto.

Tenho dúvidas se o bem é isso

(Andorinha)

agosto 27, 2008

Kate Magrela

Filed under: andorinha,Literalmente — delineando @ 1:41 am

Kate magrela deslizou o dedo por detrás da orelha arrumando o cabelo. Abriu os olhos e se viu em uma sala imensa repleta de portas iguais e fechadas, curiosas portas, ou curiosa Kate.

Andou devagar. Escolheu uma com muita dúvida e medo, girou a maçaneta, abriu. Era outra sala, esta era escura, tinha paredes nas laterais, não tinha parede no fundo, não se via o final, não se via o teto, o chão era feito de um piso branco tendo os azulejos enfeitados de pequeninos riscos azuis, era o que Kate conseguia ver até então.

A única “coisa” bonita da sala era um sofá verde florescente ao lado direito, a garota foi até ele e se sentou tranqüila, ali no sofá já não sentia medo, todo aquele lugar surreal já era familiar. Kate olhou o chão com mais atenção e percebeu que era feito de papel. Que estranho! Pegou um deles e examinou, era um bilhete destinado a ela, com a assinatura de um chegado seu. Leu no bilhete várias peculiaridades que este chegado pensava a respeito dela. Interessante!

A garota sabia que após ter sentado no sofá poderia fazer o que quisesse, isto não chegou desta forma em sua consciência, ela apenas sabia como se soubesse há anos, fez então um gesto convocatório com a mão direita, e os papéis obedientes voaram até ela. Kate ficou feliz em ver que todos eram bilhetes de amigos e conhecidos… Mas logo algo a atormentou.

Olhando novamente para o chão, algumas lágrimas saíram com a surpresa e pavor de Kate, não havia chão, um abismo. Entendendo o que significava tudo aquilo a menina chorou muito. Horas internas se passaram enquanto chorava. O que havia entendido, sabendo que de alguma forma seu ser se conectava àquela sala, era que seu chão era composto pela “opinião das outras pessoas”, pensou isso com desprezo, se assim era, onde estava sua essência? Seu próprio bilhete no chão. Retiradas as opiniões alheias, não havia chão. E chorava…

Só quando não agüentou mais chorar, Kate teve energia para novas percepções, fora tola esquecendo-se de um detalhe. O lindo sofá verde não despencou, nem ao menos tremeu. Tudo bem, não era tão reconfortante, pois sem o chão Kate ficaria sentada no sofá por toda a eternidade, mas ao menos algo dela sustentava o sofá.

De repente um misto de euforia e cautela encheu o peito da doce magrelinha. Todos aqueles papeis ainda estavam em suas mãos. Não queria se iludir de esperanças antes de tentar, então tentou rapidamente. Soltou um dos papeis… este caiu assim mesmo, como um papel aberto deve cair. Ó Kate por que chorou tanto?

O papel se posicionou no chão com a parte escrita virada para baixo. A garota testou com o pé, estava sólido como que feito de cimento e azulejo novamente. Só por orgulho Kate posicionou todos os outros papéis igualmente com a parte escrita para baixo, achando que daquela forma estaria decidindo que a opinião dos outros era um tiquinho menos importante que antes.

A doce tolinha voltou a ficar tranqüila, não ia perder o chão tão cedo. Mesmo assim não saiu de seu querido sofá verde, resolvendo tirar um cochilo, assim como uma criança faz após aliviar tensão. Nem quis saber o que segurava o sofá. Já chorou demais por hoje.

(Andorinha)

começo

Filed under: andorinha,Literalmente — delineando @ 1:20 am

 

Me veja aqui borboletando

Todas flores visitando 

Sugo e me alimento, não nego 

Mas lembre que se o néctar carrego 

Logo as flores produzem mais… 

Claramente pedi a minhas amigas flores que produzissem néctar para todos. E hoje borboletei por vocês. Transformemos matéria bruta (conteúdos internos, subjetivos, explosivos, transbordantes) no alimento e beleza (estas pequenas expressões artísticas) que precisamos para viver.

(Andorinha)

Tema: Rubric. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.